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14/04/2004 11:29
Discutir, dissertar, transcrever, explicar, defender, acordar, sorrir, comprar, odiar, chorar, viajar, comer, sair, justificar, convencer, limitar, sacudir, imitar, limpar, juntar, seguir, caminhar, fazer, estar, ser... Quanta coisa tenho feito ultimamente... Venho labutando com esses verbos durante todos esses dias. Tenho estado ocupado com inúmeras coisas e, confesso, isso não alivia em nada meu vazio. Sei, sei... Minhas eternas reclamações com relação ao funcionamento da vida estão de volta. Minha eterna busca por estar explicando (Pasquale diria: "Olha o Gerundismo". Quer saber, Pasquale? Tô me lixando pra você) tudo e todos, minhas relações, meu comportamento, minhas decisões, meus sentimentos, minha vida, estão de volta. Não mudo. Não adianta. Pra quê? Fala sério... Pra quê ficar perguntando coisas que não têm resposta? Nossa vida é mesmo uma babel, uma sucessão irremediável de acontecimentos malucos que nos desequilibram, que nos derrubam ou que nos ascende. Eu sei de tudo isso. Mas não tem graça conformar-se com as coisas como elas são. É coisa de humano mesmo, querer mudar tudo, não querer mais ver as coisas como estão, virar tudo de ponta cabeça.
Agora, pensando assim, consigo entender porque todas as vezes que volto para minha casa no interior, os móveis estão dispostos de forma diferente da da última vez que os vi. Minha mãe não consegue VIVER em um ambiente em que tudo está igual sempre e sempre é a mesma coisa. Não posso criticá-la. É o jeito que ela tem de dizer que não gosta de mesmice e essa necessidade de mudança constante é satisfeita pelo simples gesto de mudar o sofá de lugar, colocá-lo em outra parede, arrumar outro canto, dar uma nova configuração ao ambiente. Analisando assim, dá para compreender também o que acontece com as pessoas que são loucas para comprar roupa nova, que adquirem pares e pares de sapatos pelo simples prazer de usar um diferente a cada dia da semana.
Fiz toda essa digressão para explicar a minha mania de contestar o "encadeamento natural das coisas". Sempre estou farto de tudo e isso já está me cansando também ( sim, o fato de estar farto de tudo sempre também é uma forma de cair na mesmice). Mas, voltando à minha sensação de vazio: fazemos tanta coisa e, no entanto, parece que estamos sempre devendo, estamos deixando de fazer algo importantíssimo. Não adianta querermos ser mil ao mesmo tempo, fazendo, aparentemente, tudo o que nos é cobrado diariamente. Mesmo sendo muitos ainda estou insatisfeito, me sinto incompleto. Até quando isso vai durar? Não sei. Quem sabe aquelas pessoas que dizem ter encontrado o sentido da vida sejam as mais indicadas para responder à essa questão.Vale!
enviada por Gil
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